quinta-feira, 22 de janeiro de 2009



OS RADICAIS: BRASIL AME-O OU DEIXE-O

"As orientações são no sentido para que todos fiquem calados, qualquer manifestação será vista como tentativa de causar desordens e isso não será tolerado, custe o que custar, ou do contrário, caso tenham coragem suficientes para isso, assumam o risco de morrerem sob a tutela de um regime autoritário que a princípio deveria proteger a integridade física do cidadão brasileiro, MAS NÃO PROTEGE, MATA!"

Esse estado de medo e tensão causado após o golpe de 1964, nos anos que se seguiram, costurou a boca de muitas pessoas no nosso país, pois muitos deles viviam todos os dias sob o medo constante da tortura que estava sendo praticada no Brasil.

"Quem deveria nos proteger nos mata", alegava um estudante do Largo São Francisco, indignado com as diversas prisões de seus colegas de curso.

Porém, e justamente por causa desse medo e tensão, no campo cultural, especialmente no meio musical, houve uma explosão de afronta ao regime autoritário com uma criatividade ímpar por parte de alguns jovens músicos, nunca vista antes, e nem depois, em nosso país.

Até então existiam os radicais do regime, os cães torturadores protegidos por um regime autoritário imundo. E, do outro lado, haviam os radicais da resistência, continuando a "subversão" na visão dos generais sem medo de morrer.

Aqueles jovens músicos fizeram sua parte também, cantando suas músicas, quando não eram censuradas, a triste vida de um povo escravo e sem opinião. Impotente.

Quando o jornalista Vladimir Herzog foi assassinado. Na ocasião do ato ecumênico, cabe lembrar a frase do General Golbery: "Segurem os seus radicais, que nós seguramos os nossos".

Era como se, naquele momento, eles deixassem uma brecha para velar o corpo do jornalista assassinado (e não um suicida, como tentaram fazer parecer), até mesmo porque a repercussão foi enorme, mas mesmo assim não esperaram a mãe da vítima chegar ao velório e enterraram-no antes mesmo dela chegar.

Crueldade, basta apenas essa morte para que essa fase do nosso país seja esquecida, mas infelizmente ainda temos muitos mortos e desaparecidos.

Brasil, ame-o ou deixe-o: Uma época para esquecer, mas sempre hora para parabenizar os radicais do bem.


DANIEL BEDOTTI SERRA
31/08/2008

Um comentário:

ju mancin disse...

é penoso pensar no preço que pagamos/pagaram por tamanha criatividade!

de tudo, a grande lição deveria ser, parafraseando caê, é proibido proibir!!!

sigamos sendo heróis, sendo marginais, gritando mais alto que o bruto cavalgar da tropa de elite e fazendo valer cada gota de sangue&suor, derramada na luta contra a ditadura!

um brinde à contracultura!!!