terça-feira, 13 de janeiro de 2009


ANDAR NA PEDRA, MOLEQUE!

Andar descalço, sobre as pedras da praia do Tombo, onde os escravos eram tombados por seus donos quando já não lhes serviam mais, juntou a energia do Universo, ou de Deus, com a energia fraquejante do meu corpo.

Último dia de férias junto aos meus amigos, familiares e minha namorada. E lá estávamos nós três querendo aprontar alguma coisa diferente antes de ir embora, pra fechar com chave de ouro a nossa mágica e misteriosa viagem. Só faltou uma máquina mesmo pra registrar aquele momento único e guardar além da nossa lembrança.

Não foram apenas os pés descalços que colaboraram para essa caminhada, mas as mãos também, e diga-se de passagem, estão machucadas, raladas para me equilibrar, ainda mais depois de umas cervejas, elas foram necessárias.

No meio do caminho surge um ser inesperado e indefinido, que causou um certo medo na gente, mas resolvemos continuar adiante, só pensando nele novamente na volta, quando teríamos, talvez, que enfrentá-lo, o que não ocorreu, e graças à Deus, pois do desconhecido basta a morte que um dia terei que enfrentar e que já me atormenta desde cedo, ou nem tão cedo assim, quem pode saber?

Nesse momento, deitado com eles na pedra tive meu momento de encontro com Deus, com a sua natureza tão machucada e ainda tão bela apesar de tudo.

Obrigado pelos pés descalços que tanto me ajudam a enfrentar a vida, e pelas mãos, aquelas mesmas que ao invés de atacar areia ou pedras deve dar uma rosa e amor à todos aqueles que sempre fizeram parte do meu show, da minha vida.

Desculpe-me pelos meus tropeços, pois as pedras no caminho são justamente para tropeçar, mas para passar adiante delas após o tropeço. São nossas provas, as provas de que seguiremos adiante mesmo com elas eternamente no nosso caminho. E aprendendo alguma lição após nosso momento com Deus. Espero fazer das pedras a minha fortaleza, o meu castelo, e que a areia seja apenas a minha varanda de frente para o mar azul.


DANIEL BEDOTTI SERRA

Um comentário:

raTo! disse...

a natureza é algo que me encanta, tanto que do jeito que estava, me adentrei!
tenho uma relação particular com a natureza, talvez diferente de vc e do vitché... não de intensidade, é mais uma particularidade mesmo.

aquilo ali pra mim é algo que não tem explicação, e vcs puderam ver que eu parecia uma criança.