domingo, 28 de fevereiro de 2010


NOCIVOS

Quando novidade, ela não representa o menor perigo
Mas é nocivo
Transforma a mente
Sem o menor motivo

Coisas que aparentam
Mudam a qualquer tempo
Transformam pessoas em monstros
E monstros em mocinhos

Ela atrai o cigarro consolador
Que seca desde a ponta da língua até os pulmões
Num primeiro trago relaxador
E, também, matador

Consola a muleta dos fracos
Que sonham em ser os falsos profetas de um futuro sempre incerto
O apoio dos que já não tem mais auto estima
É uma maldade com rima

Como músicas para ouvidos mortos
Como concertos para teatros sem platéias
Como lazer para crianças sem vida
Como o ódio com estima

Balões flutuantes que levam o soro do descanso à multidões inteiras
Deitados sobre o asfalto esperando a semana inteira
Uma catástrofe de grandes dimensões
Bêbados, engarrafados, esquecidos para esquecer o dia que se foi

DANIEL BEDOTTI SERRA

18 comentários:

Prity disse...

é uma letra de música Dani? Gostei. Tipo, denúncia e desabafo. Beijos

Solange Maia disse...

texto forte....

nocivo... tantas coisas lindas também o são...

beijossss

Solange Maia disse...

texto forte....

nocivo... tantas coisas lindas também o são...

beijossss

Tainá disse...

Como se houvesse outra forma de tornar a realidade melhor, senão enfrentá-la. Fugir ainda piora tudo. É triste ver como as pessoas se perdem, quando não é repugnante as formas que elas arrumam pra fazer isso. Beijo!

Triste Flor disse...

E quantas novidades transformam nossa mente, pesa em nossos olhos que por vezes não vêem a ferocidade de atos que nocivos nos matam aos poucos... bjusss

O Árabe disse...

Nocivos, Daniel... quantas vezes não nos damos conta de que o são pequenos atos. :) Boa semana, meu abraço!

Fa menor disse...

Uma novidade pode não ser perigo, mas pode vir a sê-lo se nos deixarmos prender por ela até constituir um vício do qual não nos conseguimos livrar... quando se fica adicto de qualquer droga, desde cigarro, álcool ou até internet, por exemplo, é um caso sério!

Boa semana

bjos

Bela disse...

Os seres humanos, viciados em atos grandiosos, dependentes de novidades, mergulham no abismo da insatisfação.
Boa reflexão!
Abraços moço ;)

[ rod ] ® disse...

Isso mesmo cara, vamos marcar sim! Só falta vc no twitter cara... entra sim... vc ainda divulga de boa sua banda! abs.

Chica disse...

Somos rodeados de pequenos gestos nocivos e que muitas vezes nem nos damos conta...abração,tudo de bom,chica( como estão as apresentações da banda?)

Nova Civilização disse...

nada que seja nocivo é bom. Muitas vezes vem disfarçado em coisa boa... mas é pura ilusão. Bom mesmo é ser livre pela lucidez da alma,

beijinhos,

Gisele

Anônimo disse...

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Jacque disse...

Como músicas para ouvidos mortos
Como concertos para teatros sem platéias
Como lazer para crianças sem vida
Como o ódio com estima


Sem sombra de dúvida isses versos disseram mais que um milhão de palavras.

Analisando o seu poema, eu enxerguei a notoriedade de uma consciência totalmente monótona, decadente... Você expôs a igualdade dos dias, a aparência sempre igual das pessoas...mas, de uma maneira bem peculiar, deixou aí a sua crítica...

Saiba, gostei imenso dessas palavras.

Um beijo, Daniel. Mil vezes obrigada por estar sempre lá pelo Poética.

Sarah Slowaska disse...

Post bem forte.

"Coisas que aparentam
Mudam a qualquer tempo
Transformam pessoas em monstros
E monstros em mocinhos"

Eis aí algumas das mutações espirituais com que nos deparamos muitas e muitas vezes. Tigres em pele de cordeiro, cordeiros com dentes de tigre.
Temos que estar atentos.

Beijos!

Anne Lieri disse...

Daniel,mais um poema forte e um chamamento,um alerta ao que nos é nocivo o tempo todo e não vemos,mesmo estando ao nosso lado!Maravilhosa poesia!Abraços,

Paulo Tamburro disse...

Tudo bem ?

Parabéns, seu blog merece, que venha por aqui muita vezes.

Afinal, não temos tantos bons textos com estes seus à nossa disposição.

Caso queira me visitar, meu blog é de humor.

Um abração carioca.

Márcio Vandré disse...

E pensar que um animal colorido, portanto vibrante e pavoneante, pode esconder um veneno deveras mortal.
Devemos ter cuidado com nossas percepções! :)
Um abraço, meu amigo!
Estou retornando agora, estava sem internet!

prafrente disse...

Daniel

A novidade não constitui problema quando o sujeito possui capacidade de discernimento.Digamos que é a novidade que faz avançar o mundo.Por vezes ela entra em conflito com o sistema social vigente e normalmente aceito com sendo o mais correto.Os sistemas tendem a auto corrigir-se e nessa auto correção está implicada a sanção contra quem ousa trazer uma novidade.
É claro que se a novidade for uma nova arma para o criminoso, uma nova droga para o toxicodependente,ou
outra nova forma de alienação social, então aí eu rejeito a novidade...

Abraço de Portugal