domingo, 11 de maio de 2008


O CORVO

Em certo dia, à hora, à hora
Da meia-noite que apavora,
Eu caindo de sono e exausto de fadiga,
Ao pé de muita lauda antiga,
De uma velha doutrina, agora morta,
Ia pensando, quando ouvi à porta
Do meu quarto um soar devagarinho
E disse estas palavras tais:
“É alguém que me bate à porta de mansinho;
Há de ser isso e nada mais.”
Ah! bem me lembro! bem me lembro!
Era no glacial dezembro;
Cada brasa do lar sobre o chão refletia
A sua última agonia.
Eu, ansioso pelo sol, buscava
Sacar daqueles livros que estudava
Repouso (em vão!) à dor esmagadora
Destas saudades imortais
Pela que ora nos céus anjos chamam Lenora,
E que ninguém chamará jamais.
E o rumor triste, vago, brando,
Das cortinas ia acordando
Dentro em meu coração um rumor não sabido
Nunca por ele padecido.
Enfim, por aplacá-lo aqui no peito,
Levantei-me de pronto e:
“Com efeito(Disse) é visita amiga e retardada
Que bate a estas horas tais.
É visita que pede à minha porta entrada:
Há de ser isso e nada mais.”
Minhalma então sentiu-se forte;
Não mais vacilo e desta sorte
Falo: “Imploro de vós - ou senhor ou senhora -
Me desculpeis tanta demora.
Mas como eu, precisando de descanso,
Já cochilava, e tão de manso e manso
Batestes, não fui logo prestemente,
Certificar-me que aí estais.”
Disse: a porta escancaro, acho a noite somente,
Somente a noite, e nada mais.
Com longo olhar escruto a sombra,
Que me amedronta, que me assombra,
E sonho o que nenhum mortal há já sonhado,
Mas o silêncio amplo e calado,
Calado fica; a quietação quieta:
Só tu, palavra única e dileta,
Lenora, tu como um suspiro escasso,
Da minha triste boca sais;
E o eco, que te ouviu, murmurou-te no espaço;
Foi isso apenas, nada mais.
Entro co'a alma incendiada.
Logo depois outra pancada
Soa um pouco mais tarde; eu, voltando-me a ela:
“Seguramente, há na janela
Alguma coisa que sussurra. Abramos.
Ela, fora o temor, eia, vejamos
A explicação do caso misterioso
Dessas duas pancadas tais.
Devolvamos a paz ao coração medroso.
Obra do vento e nada mais.”
Abro a janela e, de repente,
Vejo tumultuosamente
Um nobre Corvo entrar, digno de antigos dias.
Não despendeu em cortesias
Um minuto, um instante. Tinha o aspecto
De um lord ou de uma lady.
E pronto e reto
Movendo no ar as suas negras alas.
Acima voa dos portais,
Trepa, no alto da porta, em um busto de Palas;
Trepado fica, e nada mais.
Diante da ave feia e escura,
Naquela rígida postura,
Com o gesto severo - o triste pensamento
Sorriu-me ali por um momento,
E eu disse: “Ó tu que das noturnas plagas
Vens, embora a cabeça nua tragas,
Sem topete, não és ave medrosa,
Dize os teus nomes senhoriais:
Como te chamas tu na grande noite umbrosa?”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
Vendo que o pássaro entendia
A pergunta que lhe eu fazia,
Fico atônito, embora a resposta que dera
Dificilmente lha entendera.
Na verdade, jamais homem há visto
Coisa na terra semelhante a isto:
Uma ave negra, friamente posta,
Num busto, acima dos portais,
Ouvir uma pergunta e dizer em resposta
Que este é o seu nome: “Nunca mais.”
No entanto, o Corvo solitário
Não teve outro vocabulário,
Como se essa palavra escassa que ali disse
Toda sua alma resumisse.
Nenhuma outra proferiu, nenhuma,
Não chegou a mexer uma só pluma,
Até que eu murmurei: “Perdi outrora
Tantos amigos tão leais!
Perderei também este em regressando a aurora.”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
Estremeço. A resposta ouvida
É tão exata! é tão cabida!
“Certamente, digo eu, essa é toda a ciência
Que ele trouxe da convivência
De algum mestre infeliz e acabrunhado
Que o implacável destino há castigado
Tão tenaz, tão sem pausa, nem fadiga,
Que dos seus cantos usuais
Só lhe ficou, na amarga e última cantiga,
Esse estribilho: “Nunca mais.”
Segunda vez, nesse momento,
Sorriu-me o triste pensamento;
Vou sentar-me defronte ao Corvo magro e rudo;
E mergulhando no veludo
Da poltrona que eu mesmo ali trouxera
Achar procuro a lúgubre quimera.
A alma, o sentido, o pávido segredo
Daquelas sílabas fatais,
Entender o que quis dizer a ave do medo
Grasnando a frase: “Nunca mais.”
Assim, posto, devaneando,
Meditando, conjecturando,
Não lhe falava mais; mas se lhe não falava,
Sentia o olhar que me abrasava,
Conjecturando fui, tranqüilo, a gosto,
Com a cabeça no macio encosto,
Onde os raios da lâmpada caiam,
Onde as tranças angelicais
De outra cabeça outrora ali se desparziam,
E agora não se esparzem mais.
Supus então que o ar, mais denso,
Todo se enchia de um incenso.
Obra de serafins que, pelo chão roçando
Do quarto, estavam meneando
Um ligeiro turíbulo invisível;
E eu exclamei então: “Um Deus sensível
Manda repouso à dor que te devora
Destas saudades imortais.
Eia, esquece, eia, olvida essa extinta Lenora.”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta: Ou venhas tu do inferno
Onde reside o mal eterno,
Ou simplesmente náufrago escapado
Venhas do temporal que te há lançado
Nesta casa onde o Horror, o Horror profundo
Tem os seus lares triunfais,
Dize-me: “Existe acaso um bálsamo no mundo?”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
“Profeta, ou o que quer que sejas!
Ave ou demônio que negrejas!
Profeta sempre, escuta, atende, escuta, atende!
Por esse céu que além se estende,
Pelo Deus que ambos adoramos, fala,
Dize a esta alma se é dado inda escutá-la
No Éden celeste a virgem que ela chora
Nestes retiros sepulcrais.
Essa que ora nos céus anjos chamam Lenora!”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
“Ave ou demônio que negrejas!
Profeta, ou o que quer que sejas!
Cessa, ai, cessa!, clamei, levantando-me, cessa!
Regressa ao temporal, regressa
À tua noite, deixa-me comigo.
Vai-te, não fica no meu casto abrigo
Pluma que lembre essa mentira tua,
Tira-me ao peito essas fatais
Garras que abrindo vão a minha dor já crua.”
E o Corvo disse: “Nunca mais.”
E o Corvo aí fica; ei-lo trepado
No branco mármore lavrado
Da antiga Palas; ei-lo imutável, ferrenho.
Parece, ao ver-lhe o duro cenho,
Um demônio sonhando. A luz caída
Do lampião sobre a ave aborrecida
No chão espraia a triste sombra; e fora
Daquelas linhas funerais
Que flutuam no chão, a minha alma que chora
Não sai mais, nunca, nunca mais!

Edgar Allan Poe
Tradução de Machado de Assis
1883

sexta-feira, 9 de maio de 2008


INDIFERENÇA E OMISSÃO

Eu tô cansado de enxergar as mesmas coisas e não poder mudar
A tua falta de bom senso e a nossa ignorância vai nos acabar
Mesmo que eu me esforce eu não sei como fazer
E mesmo que eu discorde eu não sei o que dizer
Só sei que vou perder
Com a nossa omissão

Há crianças que ainda sofrem indiferença. Esse é o futuro da nação?
Existe “mutreta” mesmo dentro das igrejas. Quem respeita sua religião?
Há idosos no INSS por uma senha a esperar
Há pessoas na fila do hospital da prefeitura a chorar
Eu sei que vou penar
Com a nossa própria omissão

Refrão

Mostraremos nossa cara pra eles verem quem é quem
Lutaremos por uma causa que beneficie mais alguém
Essa mudança não é simples do dia pra noite não vai mudar
Se for preciso pintaremos a cara pra mais um Presidente derrubar
Depois subiremos no topo e com a máfia iremos acabar
Destruiremos imunidades para alguns políticos enfraquejar
Mudaremos alguns conceitos para começar uma nova criação
E dessa forma teremos uma legal e justa nação

Daniel Bedotti Serra
23/12/2004

quarta-feira, 7 de maio de 2008

CARTA AOS MISSIONÁRIOS

Missionários de um mundo pagão
Proliferando ódio e destruição
E nos quatro cantos da terra
A morte, a discórdia, a ganância e a guerra... e a guerra.

Missionários e missões suicidas
Crianças matando crianças inimigas
Generais de todas as nações, fardas bonitas, condecorações
Documentam na nossa história
O seu rastro sujo de sangue e glória.

Vindo de todas as partes, indo pra lugar algum
Assim caminha a raça humana, se devorando um a um
Gritei para o horizonte, e ele não me respondeu
E então fechei os olhos, sua voz
Assim me bateu.

Uns e Outros

http://www.youtube.com/watch?v=MHdUHOR4odY

terça-feira, 6 de maio de 2008

MEU ENCONTRO COM DEUS

Todos os dias, em todas as horas do dia, em qualquer minuto de uma hora, em qualquer segundo de um minuto têm alguém se encontrando com Deus. Cada um da sua maneira, forçado ou por vontade própria, de maneira consciente ou inconsciente, com a consciência tranquila ou pesada, alguém sempre está indo ao seu encontro, a todo momento.

Podemos encontrar Deus através da religião, pena que algumas pessoas na busca pela fé acabam encontrando o demônio, virando seu servo e escravo, endividando-se com 10% a menos do seu salário suado ao mês. Isso não é Deus, por isso disse que só pode ser o demônio passando-se por ele. Usar o nome de Deus para ganhar dinheiro?! Isso é inadmissível! Mas acontece! E como acontece! Aliás o que não falta nesse mundo são falsos profetas, falsos pregadores, falsas pesssoas, falsos “isso”, falsos “aquilo” e por aí vai.

Pagaria caro para ver o encontro de Edir Macedo com Deus, o maior falso pregador que já vi desde que nasci, aproveita-se da fé dos mais fracos, daqueles que não têm nada e que realmente precisam de Deus pra sobreviver todos os dias. Pra muitos a fé é uma muleta pra que se possa continuar vivo.

Luiz Inácio Lula da Silva é outro falso “messias”, este quando teve oportunidade de fazer o que pregava, fez o contrário. Quantas pessoas viram a esperança nele? E o que ele fez? Nada de diferente daqueles que ele tanto era contra. Parece até que fez de propósito, moldou uma imagem durante 20 anos apenas para chegar ao poder, depois mostrou quem realmente é e fez o que de fato queria, desfrutar da sua ambição pelo poder recém-conquistado atacando merda na cara dos seus fiéis seguidores.

Ainda nesse sentido faria o que fosse possível para ver o encontro de Deus com Hitler, Mussolini, George W. Bush, Paulo Maluf, Gandhi, John Lennon, Chico Mendes, Ayrton Senna, Charles Chaplin, Leonardo da Vinci e Jesus Cristo. Esses seriam alguns dos maiores julgamentos da história. Ver Deus olhando pra cada um de seus filhos e dando sua sentença, analisando o que cada um fez certo ou errado na sua chance de mostrar algo, em vida, ou seja, no seu momento de provação, não tem preço.

Não podemos nos esquecer que também fazemos parte dessa lista. Um dia nossa vez chegará.

Outra maneira de encontrar-se com Deus é estar junto a natureza. Há lugares maravilhosos pelo mundo. Quem poderia ter criado tudo isso a não ser Deus? Talvez por isso que Dalai Lama recomenda que se faça pelo menos uma viagem ao ano para algum lugar diferente. Para encontrar-se com Deus?! Provavelmente sim.

Além da natureza temos os animais para completá-la e deixá-la ainda mais bela. Cada um com sua função no meio ambiente, e o fazem de forma honrosa. São tão inteligentes quanto o homem parece ser, mas provavelmente são mais puros que o homem, o animal é irracional mas não se corrompe, sua natureza não permite isso.

O homem é tão primitivo que mesmo achando a natureza e os animais uma dádiva de Deus, os destrói de maneira impulsiva e consciente, o que é pior. Destrói suas próprias necessidades pra continuar vivo. Quanta burrice!

Podemos também nos encontrarmos com Deus quando dormimos. Assim que pegamos no sono nosso espírito sai do corpo e viaja pelo mundo espiritual. Lá, ele encontra familiares, pessoas conhecidas ou não que já se foram, relembra outras vidas e encontra-se com Deus, com aquilo que acordado chamamos de subconsciente. Lá é o verdadeiro lugar do espírito, se lhe fosse permitido ele não voltaria ao corpo, mas ele têm que voltar porquê está ligado a nossa matéria enquanto estamos encarnados. A maior prova disso são nossos sonhos.

Também temos maneiras ruins e inesperadas de nos encontrarmos com Deus. Todos os dias pessoas são assassinadas, sofrem acidentes, morrem de doenças sem cura. Cada um terá o seu próprio encontro com o Criador, não importa o número de pessoas que existam na Terra. Cada um terá seu próprio julgamento e uma sentença.

Como citei acima, em vida cada um tem uma maneira única de comunicar-se com Deus. Seja através da religião, da natureza, dos sonhos ou seja lá como for, o que importa é procurá-lo não só nos momentos ruins, mas nos momentos bons também. Devemos compartilhar os bons momentos com Deus.

Minha maneira de encontrá-lo todos os dias é através da música. A música eleva o espírito, engrandece o espírito e o leva de encontro a Deus. Fazer uma música é divino. Tocar uma música é um dom. Tocar um acorde é crescimento. Tocar uma nota é curiosidade. Com a música se chega a perfeição e com a perfeição se chega até Deus.

Sei que um dia terei meu desencarne e chegarei até ele de outra maneira. Serei julgado como todos devem ser, pela Lei de Deus, por isso procuro fazer as coisas da maneira certa, e quando erro, procuro corrigir meus erros para além de aprender com ele, reparar o mal causado a outrem.

Você já pensou no seu encontro com Deus?
Daniel Bedotti Serra
11/01/2007

segunda-feira, 5 de maio de 2008

O VENTO, A MARÉ E O MEU ALIADO

Hoje o vento sopra contra a direção em que me encontro. Bate no meu peito como a rajada de metralhadora do inimigo e tenta me jogar para trás. Mas por enquanto estou estático, parado, lutando apenas para não retroceder. As dúvidas que surgem me deixam frágeis ao ponto de eu perder tudo o que tenho. Quando me sinto inseguro eu ataco como um animal acuado. Essa é a minha maneira errada de lidar com esse mal existencial. Mas não desisto porque sei que tudo tem uma razão e o vento que bate contra meu peito quer me ensinar algo.

Quanto mais eu penso descubro que sou o meu maior inimigo, porque sou capaz de, sozinho, destruir as coisas que estão ao meu redor. Nós que perdemos as coisas, as oportunidades, as pessoas. Se todos cuidassem apenas de si mesmo, sem preocupar-se com o que os outros estão fazendo, seria tudo mais fácil e prático. Cada um fazendo sua parte o resultado é que tudo ficaria bem entre tudo e todos. Isso não é engraçado?!

Hoje eu nado contra uma corrente, a corrente de opiniões. As opiniões gratuitas podem vir tanto para o bem quanto para o mal. E eu tenho um monte de babás. Não acho necessariamente que isso seja ruim, mas uma opinião pode destruir muitas coisas quando você está psicologicamente preparado para enfrentar uma guerra. E eu me preparei para isso. A guerra psicológica é pior do que a guerra armada, porque você ataca sem atacar. Você se defende sem ser atacado. Você tem que ser observador e não dormir no ponto. E eu sei o que estou fazendo.

A única coisa que posso concordar com essa corrente é que eu não pedi para estar ali vivendo aquela guerra, mas optei por brigar por ela já que, um dia, acordei no meio daquilo tudo. E espero sinceramente que o meu maior aliado não me deixe na mão depois das desconfianças que aconteceram entre a gente.

Meu aliado já lutou comigo durante anos lado a lado, cada um ajudando no combate diário um do outro, nada em conjunto, assim como Che e Fidel, até que um dia nosso objetivo tornou-se o mesmo e por incrível que pareça, o que parecia que seria fácil pelo fato de nos conhecermos bem, tornou-se difícil porque a situação em que nos encontrávamos era outra. Nesse momento estávamos lutando por algo em comum e tudo ficou mais difícil. Os desentendimentos ocorreram e do dia para a noite duvidei do meu aliado e cortei relações.

Mas a guerra diária continuou e percebemos que juntos somos mais fortes. Unidos podemos seguir em frente. Basta ter respeito pelo ser humano que cada um é. Basta ter respeito pela história que cada um criou desde que nasceu. Por tudo aquilo que conquistaram. Pelo o que cada um aprendeu com os erros. E eu não vou desistir de lutar com você.

Daniel Bedotti Serra
05/05/2008

quarta-feira, 30 de abril de 2008

UM DIA FAZ MUITA DIFERENÇA
Certas coisas não se explicam, elas simplesmente acontecem e a gente tem que enfrentar. Quando digo enfrentar não significa apenas fingir que nada aconteceu e seguir em frente. Muitas vezes é necessário reagir. Muitas vezes é necessário se afastar de certas situações.
A maioria das pessoas já nascem preparadas, ou são preparadas durante a vida para receber decepções, para não confiar, para bater sempre que sentir-se ameaçado. Mas eu não fui criado assim. Nasci numa família perfeita, cheia de amor, carinho e atenção. Consegui realizar todos os meus desejos necessários para seguir minha vida, para crescer na vida. E o resultado disso foi que me tornei um cara com diversos princípios. Princípios esses que regem minha vida. Eu não consigo aceitar algumas coisas que vejo que a maioria das pessoas aceitam e acham normal. E por isso muitas vezes tenho que me calar para não ser mal interpretado. Percebo que poucas pessoas de fato me conhecem. Poucas pessoas conhecem a sensibilidade que existe dentro de mim e sabem lidar com isso. Jamais pisariam na bola comigo porque sabem que as consequências no meu peito são destruidoras. Outras não. Outras magoam. Magoam sem pensar. Passam por cima de tudo sem ao menos pensar na destruição que estão causando.
Eu sei, e juro que sei, que minha vida vai ser sempre assim. Sempre me decepcionarei. Mas sei também que vou sempre passar por muitas coisas ruins, e essas coisas sempre terão um efeito pior dentro de mim do que em qualquer outra pessoa, simplesmente pelo fato de que eu não aceito injustiças. Principalmente partindo de pessoas que eu daria minha vida. Infelizmente, talvez, eu tenha que mudar, eu tenha que deixar de ser a exceção para ser a regra. Vou passar a dar um tapa na cara antes de imaginar que eu possa tomar um. É assim que fazem comigo, mas será que eu consigo ser assim?
No final de tudo, percebi que quem era traumatizado não era eu, mas sim àqueles que me fazem mal. Porque pra fazer mal a mim, a pessoa tem que ser muito fria e talvez até calculista. Não sou perfeito, mas cansei de pedir desculpas sem estar errado, apenas para não ficar uma situação chata. Sempre que percebo corro atrás dos meus erros. E tento consertar. Conserte os seus também?
A gente descobre que é forte nessa vida não pelo quanto a gente bate nos outros, mas sim, pelo quanto a gente apanha e consegue seguir em frente.
Bom feriado!!!
Daniel Bedotti Serra
30/04/2008

segunda-feira, 28 de abril de 2008


MAL DO MUNDO

Portas abertas vem me convidar
A usar o microfone e resolver falar
Do que eu vivo já que estou vivo
Depois de tanto tempo respirando ar
Cortante seco, me esfola a garganta
Mantém caído quem já não levanta
E do sinal fechado pro lado da bonança
Que nos mostra o lixo, mas não limpam a lambança

Cair na vida e procurar a luz
A natureza e o céu que me conduz
Olhar pra cima e seguir em frente
Rumbora agora que o futuro é a gente
Calado não da pra ficar
Mudo, sem mudar

Olhos abertos, fácil de enxergar
Que quem ganha o poder não quer ver o mundo mudar
A novidade subverte e mostra novas opções
E mata de medo quem não tem mais soluções
Quando atirei, acertei meu coração
Só o bem faz a revolução
Lavo a alma com o sal, me faz cicatrizar
Não ganho medo de perder
Nem perco a vontade de ganhar

Cair na vida e procurar a luz
A natureza e o céu que me conduz
Olhar pra cima e seguir em frente
Rumbora agora que o futuro é a gente
Calado não da pra ficar
Mudo, sem mudar

O Sol nasce igual, véi, pra todo mundo
Não vou te prometer mundos e fundos
Eu sei que tudo que vai, um dia volta
E que pra tudo que se faz, vem uma resposta
Eu sigo em frente e me mantenho no bem
Quando eu me perco meus amigos me mantém
Firme no trilho, a gente vai ao fundo
longe do mal do mundo

RUMBORA

domingo, 27 de abril de 2008


WHISKYMÓ - SALVADOR DALÍ

Ontem o show foi bom de novo. Percebo que mesmo a banda errando bastante fazemos boas apresentações. Não somos músicos técnicos, nem temos a pretensão de ser. Apenas reunimos nossa aparelhagem, os amigos e fazemos o pouco que sabemos fazer. TOCAR!!!

O diferencial desse show para os outros é que esse tivemos participações mais do que especiais. Bianca, esposa do Luís (Baterista) cantando mais uma vez a música da Pitty. E que por mais que essa música já esteja batida em nossos shows, eu percebo que o pessoal que não está acostumado a ver nossos shows gosta.

Os irmãos Fernando e Talita também cantaram com a gente, assim como sempre fazemos nas nossas viagens pra praia, no nosso famoso luau. Conseguimos dessa vez fazer isso com a banda mesmo, e apesar de eu não ter participado ficou muito bom. Fiquei apenas ouvindo e curtindo.

E por último, meu amigo (já o considero um grande irmão), Vitché. Sempre nos salvando na Killing in the name, e em outras músicas como na Rocking in the free world. Se eu soubesse que ele cantava esse som, teria chamado para cantá-la inteira, e não apenas no refrão.

Bom, por enquanto não temos outras datas marcadas para apresentação, mas logo mais estaremos atualizando nossa agenda. Por enquanto a banda vai dar uma relaxada no próximo feriado, e depois provavelmente gravaremos uma demo para arrumarmos bares diferentes para tocar.

Que final de semana foi esse!!!

Daniel Bedotti Serra

sexta-feira, 25 de abril de 2008


NÃO OLHE PARA TRÁS COM RAIVA
(DON'T LOOK BACK IN ANGER)

Como é bom poder olhar pra trás e pelo menos se orgulhar do que um dia já fizemos. Mesmo que
as coisas não estejam tão boas no momento, você se reencontra com pessoas como essas da foto e
percebe o quanto querido você é, percebe como o passado não é apenas passado, que ele deve
ser lembrado SIM, e nunca devemos deixar o que foi bom pra trás.

Conheci esse pessoal em 1986 num colégio chamado 3 de maio. Foi o lugar que mais passei tempo
estudando. Fiquei 8 anos da minha vida lá dentro, e tudo o que sou hoje devo àquelas pessoas
que me ensinaram tudo e a essas amizades eternas.

Reencontrando esses amigos percebo que ainda somos crianças, nada mudou, apenas temos uns
15 ou 20 anos a mais daquela época para cá. As recordações ainda estão na mente como se
tivesse sido ontem tudo aquilo.

Pena que ainda não conseguimos reunir mais pessoas, mas a vida é assim, alguns casaram, outros
se mudaram, uns se foram pra sempre, outros não querem reencontrar o passado.

É como disse esses dias a um grande amigo: "O que há de errado em voltar ao passado, se meu
presente é complicado e meu futuro é indefinido?"

Valeu!!!

Daniel Bedotti Serra

quarta-feira, 23 de abril de 2008

O CAMINHO AO TOPO CONTINUA...

O mais delicioso prazer é sentir a dor pra se chegar até ele. Nada se compara a essas duas sensações, elas estão interligadas, e para se chegar a uma tem-se que experimentar a outra junto. É claro que não procuramos a dor em primeiro lugar, sempre procuramos o prazer, mas a dor vem na sequência e é inevitável. Um caminha com o outro. São como dois irmãos que nasceram grudados. Mesmo corpo mas com duas cabeças. O bicho de duas cabeças. A dor e o prazer.

Nessa busca intensa pelo topo, pela felicidade, a gente se depara com diversos obstáculos, obstáculos esses que às vezes são fatais para algumas pessoas que estão tentando a mesma coisa que você e junto com você. É como numa guerra, diversas pessoas vão para atingir um mesmo objetivo, mas alguns não voltam com a vitória ou com a derrota, porque a linha acaba para alguns.

Por enquanto eu ainda estou no jogo, machucado pelos horrores dessa guerra diária, mas estou vivo e mais forte como nunca. Superei mais um obstáculo, e apesar das minhas fraquezas segui forte, e com o passar dos dias sinto-me mais forte ainda.

Meus soldados estão morrendo em combate, perderam-se no bom combate da vida, porque deixaram de combater de forma moral e foram imorais, e eu tentei avisá-los, mas tudo bem, o que importa é que eu estou aqui vivo e pronto pra enfrentar novamente o inimigo que está a algumas milhas diante de mim. Mais uma vez eu fiz a minha parte e não mudarei por causa da regra, pois eu sou a exceção. E isso fez de mim o que eu sou hoje.

Por rádio eu pedi reforços ao meu superior, pedi que ele me enviasse mais combatentes, mais pessoas dispostas a enfrentar a vida com a cara limpa, na honestidade, sem medo de enfrentar os obstáculos, sem medo de enfrentar o inimigo do mal, aquele que fará de tudo e da pior maneira para acabar com você.

Ainda não obtive resposta, então por enquanto fico aqui abaixado no meio desse pântano, cicatrizando minhas feridas do último combate, renovando meu espírito, esperando minha hora de seguir no jogo.

Quem continua no jogo comigo?


Daniel Bedotti Serra
23/04/2008

terça-feira, 22 de abril de 2008

A DROGA DO AMOR

O amor, aquele que sonhamos tanto em experimentar, não deixa de ser uma droga como outra qualquer (Alcool, Cigarro, Maconha, Cocaína, Heroína, Crack...) eis que vicia, causa dependência, causa euforia, faz chorar, faz sorrir, nos relaxa e outras coisas mais. Mas qual o verdadeiro segredo do amor? Ou melhor, quando descobriremos o amor verdadeiro? Será que ele existe? E a tal alma gêmea? Ou será que temos a necessidade de estar com o sexo oposto apenas por conveniência? Apenas para nos satisfazermos?

Como a droga, o amor no início também faz a gente sorrir em excesso, relaxa de uma maneira inexplicável, dá uma sensação de poder já que estamos com alguém que amamos (ou achamos que amamos), nos faz viver o mundo de uma maneira mais fácil, mesmo com os problemas que ele nos traz, e dessa maneira a nossa auto-estima se eleva como se conseguíssemos chegar até Deus (pelo menos os usuários de drogas falam muito em “voar”, “viajar”, em sentir-se poderoso e etc.).

Tudo bem até aí, mas e quando o amor de uma das partes acaba e o castelo, que na verdade nunca deixou de ser imaginário, desaba? O que fazer? Chorar? Não adianta chorar!! A pessoa não vai voltar mais! E você se pergunta: E o amor verdadeiro, aquele que eu tanto acreditava? Afinal de contas a outra pessoa também um dia acreditou nesse amor, ou não?

Nesse momento entramos em declínio e as consequências da dependência logo aparecem: Demoramos meses a acreditar que o sonho acabou; Cada vez que o telefone toca dá a sensação de que dessa vez é a pessoa que gostamos (mas nunca é); Quando resolvemos sair a primeira vez sozinho dá vontade de sair correndo e implorar para que a pessoa amada volte, e em nenhum momento você aceita que agora vive uma realidade diferente, ou seja, isso vai te atrasando, faz com que você pare no tempo enquanto que as vezes a pessoa que você ama já está até se divertindo por aí sozinha ou até acompanhada e nem se lembra mais de você. Essa é a pessoa que dizia também amar você? Essa é a realidade do amor? Quanto tempo perdido!!!

A droga é assim também, causa alegria, euforia, poder e outras coisas no começo, mas no decorrer do tempo causa a dependência que só percebemos quando estamos no fundo do poço (quando reconhecemos que somos frágeis à ela como no amor) e aí surge o problema. E como sair do problema? Tratamento! É a única solução. No amor também chegamos a precisar de tratamento, terapia, já que precisamos entender porque as coisas não aconteceram da maneira planejada, e também para termos coragem de nos relacionarmos novamente sem medo.

É difícil aceitar o término de um relacionamento eis que o tempo nos faz acreditar que ter um relacionamento sólido é encarar as coisas sempre da mesma maneira, sem mudanças, nunca arriscando para não se arrepender. Afinal de contas, pra que mudar, se a rotina nos faz pensar que estamos seguros? (Esta aí um pensamento ilusório). Mas na verdade, de tanto termos medo do desconhecido e por não mudarmos de postura mesmo com o passar dos anos fazendo da nossa vida uma inércia, a própria vida nos mostrará como crescer (essa é a palavra certa), e para mudar ela arranca a pessoa que gostamos sem dó nem piedade para mostrar que estávamos errados (ou que namorávamos errado) para podermos continuar progredindo, ou seja, para não sofrermos no futuro?!. Mas e agora, eu estou feliz? Não, não estou nem um pouco feliz e por um único motivo: “EU QUERO A PESSOA QUE AMO AO MEU LADO EIS QUE É ELA QUE ESCOLHI PARA FICAR COMIGO PRO RESTO DA MINHA VIDA”.

Que mal há nisso? Escolher alguém para ficar conosco para sempre. Só quem passa por isso sabe o quanto dói, mas se pararmos pra pensar chegaremos à conclusão que todo mundo um dia passou por isso (quem dizer que nunca teve um amor não correspondido está mentindo!!). Então é necessário passar por isso para aprendermos a amar? Não sei! A única certeza é que daqui um tempo a gente esquece esse tal amor e depois nos perguntamos: E aquilo que eu sentia, era o quê? Amor? Paixâo? Então pra que sofrer se um dia tudo passa?

Fazendo uma comparação entre as doenças que afetam a alma (a droga e o amor), é certo enfatizar que a droga mata!! E o amor, mata também? Não, o amor não mata, com o decorrer do tempo a gente esquece o nosso amor mesmo que forçado, pessoas morrem e somos obrigados a esquecê-las e assim a vida segue normalmente como se nada tivesse acontecido, (no dia seguinte temos que acordar cedo da mesma maneira), é claro que sofremos, mas nunca morremos e se morrermos ainda seremos chamados de fracos e sem amor a si próprio. (Afinal, antes de gostarmos de alguém deveríamos gostar de nós mesmos primeiro, certo?).

Logo, chegamos à conclusão que a droga tanto existe como pode matar (no mínimo deixará seqüelas incontestáveis) e o amor não mata (mas deixa seqüelas) e por não matar não existe?!, pelo menos eu nunca vi ninguém morrer por amor, também nunca vi uma pessoa gostar da outra da mesma maneira, sempre um gosta mais do que o outro, ou seja, desde que o mundo é mundo não existe sintonia entre os amantes, logo, ou o amor não existe, ou as pessoas não aprenderam a amar em pleno século XXI.

Daniel
07/01/2004

quinta-feira, 17 de abril de 2008


Lucy No Céu Com Diamantes

Pinte você mesmo em um barco em um rio
Com pés de tangerina e céus de marmelada
Alguém o chama, você responde muito lentamente
Uma menina com olhos de caleidoscópio

Flores de celofane amarelo e verde
Sobressaindo sobre sua cabeça
Procure a menina com o sol nos olhos
E ela se foi

Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes, ah

Siga-a até uma ponte por uma fonte
Onde povos de cavalos de pedra comem tortas de marshmallow
Todos sorriem quando você vagueia pelas flores
Isso cresce de forma tão inacreditável

Táxis de jornal aparecem nas orlas
Esperando para levá-lo embora
Escale a parte de trás com sua cabeça nas nuvens
E você se foi

Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes, ah

Pinte você mesmo em um trem em uma estação
Com porteiros de plasticina com gravatas de vidro
De repente alguém está na catraca
A menina com olhos de caleidoscópio

Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes, ah

Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes
Lucy no céu com diamantes, ah


The Beatles
Álbum - Sargent Peppers Lonely Hearts Club Band
Música - Lucy In The Sky With Diamonds
1967